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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Livros

AstrologiaO Cosmos e Você
(RBS Publicações. 174p coloridas e ilustradas. Designer gráfica Clô Barcellos. Pesquisa iconográfica de Amanda Costa).
Prêmio Açorianos de Literatura - Categoria Projeto Gráfico (design)
O COSMOS E VOCÊ, de AMANDA COSTA
por Waldemar Falcão*
Para se escrever sobre Astrologia, não basta ser um bom astrólogo; é preciso saber escrever de forma a se passar para o texto conceitos amplos e ao mesmo tempo precisos, para se atingir tanto o astrólogo profissional quanto o estudante, o interessado ou iniciante nos estudos do céu.
Amanda Costa conseguiu reunir todas essas qualidades ao realizar o simpático livro intitulado "Astrologia – o Cosmos e você". Astróloga com larga vivência prática de aconselhamento e ensino, da safra que foi preparada pela mais importante figura da astrologia no Brasil, D. Emma Costet de Mascheville, além disso, ela adquiriu uma outra experiência importante ao assumir a responsabilidade pela área de Astrologia do portal Terra, onde escreve regularmente.
Primeiro de tudo, o livro tem uma apresentação gráfica primorosa, com uma iconografia belíssima e possivelmente rara, pois algumas das numerosas ilustrações do trabalho pertencem ao acervo pessoal da astróloga. Esta parte do livro é tão bem produzida que acabou por ganhar um prêmio da Prefeitura de Porto Alegre, o Prêmio Açorianos de Literatura de 2004, pela feliz combinação de imagem e texto. Só por isso, o livro já é uma viagem agradabilíssima pelos mistérios e maravilhas do céu.
Além disso, o texto tem uma originalidade também toda especial, com um humor e uma poesia únicos no trato dos temas a serem abordados ao longo da leitura. Para exemplificar, cito alguns dos temas do sumário, que já começa sendo chamado de "Rota Estelar": "Faz parte do meu show", "Saindo do ovo", All we need is Love", "Seduzindo...", "Andanças e contradanças de Mercúrio", Exercícios do guerreiro Marte", e assim por diante, entre muitos outros títulos criativos e divertidos.
Ao final, Amanda inseriu alguns complementos muito bem elaborados, como "Tudo que você sempre quis saber sobre Astrologia e nunca teve pra quem perguntar", um verdadeiro FAQ literário, com mais de setenta perguntas e respostas sobre curiosidades comuns a todos os que não dominam o conhecimento da arte dos céus. Em seguida, há um capítulo sobre a Era de Aquário e uma homenagem ao centenário de D. Emmy, com uma belíssima homenagem a essa que foi com certeza a figura mais importante da Astrologia nacional.
Em princípio, o astrólogo profissional ou já experimentado vai perceber que o livro foi escrito pensando no leitor leigo e curioso a respeito da Astrologia, mas o projeto é tão bem escrito e tão bem estruturado que qualquer profissional da área, ao terminar sua leitura, vai se sentir melhor informado e enriquecido a respeito de sua própria prática. Ou pelo menos vai ter tido uma verdadeira aula de como se faz um livro sobre Astrologia que é ao mesmo tempo popular, de fácil entendimento por aqueles que não conhecem o tema, e de alta qualidade editorial. Um trabalho horizontal como a linha do Ascendente e vertical como a linha do Meio do Céu. Altamente recomendado.
*Waldemar Falcão é astrólogo, músico, escritor e editor. (Resenha postada em http://www.cnastrologia.org.br/)
-------------------------------------------------------------- O livro “Astrologia – o Cosmos e Você” é uma espécie de tour pela Astrologia, enfocando questões mais essenciais para a compreensão do mecanismo astrológico. Nas suas 174 páginas, todas coloridas e ilustradas, conta um pouco da história da Astrologia, mostra seus princípios, funcionamento e relações astronômicas, apresenta informações sobre os signos zodiacais, sobre os planetas e seus ciclos.
O leitor poderá descobrir seu Ascendente (através de disco para cálculo no encarte), e entender seu significado e importância. Obterá também algumas dicas para observar a Astrologia no seu dia-a-dia e para utilizá-la na organização de seus projetos pessoais e profissionais. E o amor? Ah, claro, também está presente, e com o destaque que merece.
O livro dedica um capítulo especial para sanar as dúvidas mais freqüentes sobre o tema, através de 75 perguntas e respostas, selecionadas a partir do contato direto com pessoas e através de e-mails, durante mais de 25 anos de experiência.
Para encerrar, um ensaio sobre a Era de Aquário e uma homenagem carinhosa à astróloga e mestra Emma Costet de Mascheville, com quem iniciei meu aprendizado, e que formou várias gerações de astrólogos que estão espalhados pelo Brasil e algumas partes do mundo.
“Astrologia – o Cosmos e Você” dirige-se às pessoas que, tendo ou não alguma noção anterior sobre Astrologia, desejam ver de que forma esse conhecimento pode contribuir para sua vida. É também uma ferramenta útil para quem deseja iniciar seus estudos na área.
Ao conteúdo da obra, soma-se o diferencial de sua linguagem moderna, leve e bem-humorada e o belo projeto gráfico da designer Clô Barcellos, com a pesquisa iconográfica realizada pela própria astróloga e escritora que vos fala. O livro recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura de 2004 na categoria Projeto Gráfico.
Para curtir sozinho, a dois ou entre amigos, para dar de presente em datas especiais, é um livro bacana de ler e ver. “Astrologia – O Cosmos e Você”, além de compartilhar conhecimento, é também interativo e divertido.
Um abração e boa viagem! À venda em todo o Brasil nas livrarias Saraiva, Cultura, Porto, Globo e nos sites www.saraiva.com.br www.livrariacultura.com.br www.fnac.com.br www.submarino.com.br www.americanas.com

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Quem....


Quem Lhe Deu O Problema?
de Germana Downing
“Jesus disse a Filipe: ‘Onde compraremos pão para esse povo comer?’ Fez essa pergunta apenas para pô-lo à prova, pois já tinha em mente o que ia fazer.”
João 6:5-6 NVI
Jesus já lhe deixou enfrentar problemas que parecem sem solução? Pode ser problemas de saúde que só pioram. Pode ser problemas familiares, ou dívidas que só aumentam ou aquele emprego que nunca apareça.
Você buscou em Cristo salvação e teve esperanças de ter seus problemas pelo menos atenuados. Mas, já o imaginou como alguém que lhe daria problemas a mais para serem solucionados? Afinal, quem nos traz problemas, Deus ou o diabo? Desde que o inimigo abordou Eva nunca mais a raça humana teve paz! É só um problema atrás de outro. Mas, nem todos os problemas vêm do inimigo.
O problema que o Senhor apresentou a Filipe não tinha solução humana. Mas, Jesus tinha uma solução e já sabia o que ia fazer. A serpente, quando tentou a mulher certamente “sabia o que estava para fazer”. Ele criou um problema que de fato não existia (“É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” - Gn.3:1b). Daí, ele levou Eva a encontrar uma “solução” por conta própria, sem a ajuda de Deus.
O problema apresentado por Jesus levou Filipe a acreditar mais em Deus e Sua providência.O inimigo, ao fazer a mulher “se garantir”, a levou a questionar o caráter do próprio Deus.
Jesus levou os homens a confiarem em Deus.O diabo os leva a duvidar.
Jesus nos leva a depender de Deus.O diabo nos leva a tentar resolver tudo pelas nossas próprias forças.
O pior é que os problemas que o inimigo nos traz, frequentemente nós conseguimos resolver, enquanto os que Deus nos apresenta às vezes parecem sem solução. Com os problemas que nós resolvemos começamos a confiar em nós, quando devíamos dar a glória a Ele. Com os problemas que não conseguimos resolver, começamos a questionar o amor de Deus, quando devíamos confiar mais nEle. Não deveria ser o contrário?
Da próxima vez que você se deparar com um problema aparentemente sem solução, lembre-se que pode ser melhor do que um que tenha uma solução, sua solução, mas que seja trazido pelo diabo. Confie em Deus, porque só ele pode virar o próprio problema numa solução – fortalecendo a nossa fé. Afinal, segundo o próprio Jesus – a fé é a solução para o maior de todos os nossos problemas.
Disse-lhe Jesus: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?” João 11:25-26

domingo, 4 de outubro de 2009

Leiammmmmm!!!

Tezinha, Fofinha, só minha.


Fortuna

O zelador do edifício, que também era o zelador da moral dos moradores, foi unânime: o rapaz sempre se portou dentro dos conformes. Fechava a porta do apartamento por fora depois que saía e por dentro depois que entrava, além de ter um olho-mágico para espiar antes de abrir. Mulheres, que ele visse, nunca botou pra dentro. Empregada não tinha, só talvez um criado mudo, pois quando ele não estava e o telefone tocava, ninguém atendia.A faxineira de uma vez por semana era testemunha ocular de que nunca viu nada. Se ele possuía vida íntima, era dentro do armário embutido. Todos no edifício daquele lado sabiam: abrindo a porta do armário tinha um varalzinho pra gravata, onde podia muito bem se pendurar uma mamulenga vazia que nem aquela. Mas vivia de chave passada e não sabia onde enfiada, não que ela, faxineira que dava referências, fosse de mexer nesses particulares.O já qualificado solteiro confessou que realmente. Ele coabitava a sós. Sempre sonhou com algo no gênero e um dia viu, numa revista masculina especializada, o seu sonho tornado realidade: a mulher ideal, não uma simples mulher, mas uma verdadeira boneca. Recortou o cupom e encomendou uma com uma peruca sobressalente para variar. Só ele sabia a dupla ansiedade com que esperou o dia da entrega.Ela chegou de porte leve, de corpo completa e tão perfeita depois de inflada, que ele mal pôde crer quando, ajoelhado a seus pés sentiu uma marquinha em relevo nas solas que beijava, onde se lia Life Size Dolls Inc. Na intimidade, porém, chamava-a de Tezinha e não tinha com ela outros momentos. Isso morena. Quando estava de loura a esvaziava um pouco e chamava-a de Fofinha. Essa a sua vantagem: podia ser chamada pelos nomes que na hora ele bem quisesse, sem precisar se envolver com as mencionadas. Não se justificava, portanto, a atitude daquele senhor — diante de cuja senhora ele sempre demonstrou o mais respeitoso desprezo —, invadindo o seu domicílio com indignação e compostura.Foi um minuto de constrangedor silêncio: podia-se ouvir até o tique-taque do relógio, se ele não fosse digital. De repente os dois estampidos, o cheiro de tiro e de vinil perfurado. Os gritos das mulheres do edifício sãs e salvas lá fora, o corre-corre no corredor. E sua Tezinha, Fofinha, murcha, estrebuchada, a peruca subitamente desproporcional rolando longe.Como o indigitado senhor alegou em juízo perfeito, foi privação dos sentidos. Seu advogado, aliás, deu-lhe inteira razão. Quem, cego pela paixão, alguma vez errou o alvo? Ao flagrá-la ali, assim, nos braços de outrem, ele julgou que fosse aquela que ele mantinha no recesso do seu próprio armário embutido, momentaneamente esquecido, senhores jurados, de que tais bonecas são fabricadas em série.
Reginaldo José de Azevedo Fortuna, maranhense de 1931, foi jornalista, desenhista, humorista e artista gráfico. Colaborou como cartunista e diretor de arte na revista "Pif-Paf", no "Correio da Manhã" criou "O Manequinho", página de charges políticas, no "Pasquim" fez direção de arte e colaborou com textos e caricaturas, além de sua participação em "O Bicho", "Folhetim", da Folha de São Paulo, e da "Careta". Segundo Millôr Fernandes em "Retratos em 3 x 4 de alguns amigos 6 x 9" (1969), "tem trinta e poucos anos de altura, a personalidade dele mesmo, riso hipotético, traço desconfiado e é tarado por coisas que detesta. Perfeccionista nato, entre suas descobertas estão o furo da rosca, o oco exterior e a moeda sem coroa. Profundo humorista, fica triste sempre que o levam a sério; acha que nunca foi tratado com a hilaridade que merece." Participou das antologias "Seis desenhistas brasileiros de humor" (Ed. Massao Ohno, 1962), "Hay gobierno?" (Ed.Civilização Brasileira, 1964), "Dez em humor" (Ed. Expressão e Cultura, 1969). É autor dos livros "Aberto para balanço" (Ed. Codecri, 1980), "Diz, logotipo" (Kraft/Studioma, 1990) e "Acho tudo muito estranho (já o prof.Reginaldo, não" (Ed. Anita Garibaldi, 1992). O autor faleceu precocemente no dia 05/09/1994. No 22º. Salão de Humor de Piracicaba, realizado em 1995, foi criada e concedida a Medalha "Reginaldo Fortuna" aos maiores destaques do humor da cultura do país, entre eles os cartunistas Jaguar, Claudius, Ziraldo e Millôr Fernandes; o palhaço Arrelia e a comediante Dercy Gonçalves.

Texto extraído do livro “Acho tudo muito estranho (já o prof. Reginaldo, não)”, Editora Anita Garibaldi – São Paulo, 1992, pág. 73.